ENCONTRO NACIONAL DOS COMANDOS DA GUINÉ – 1964 / 66

COMANDOS GUINÉ - 45 ANOS DEPOIS


ALMOÇO DE CONFATERNIZAÇÃO EM 19/06/2011


CAMARADAS, VAMOS FECHAR AS COMEMORAÇÕES DO NOSSO REGRESSO DA GUINÉ, FAZ ESTE ANO 45 ANOS, PARA OS ÚLTIMOS QUE DE LÁ VIERAM.

PERGUNTARAM ALGUNS DE VÓS, MAS TANTO TEMPO A COMUMERORAR?

É VERDADE, DESDE 2010 a 2011, EM QUE SE COMEMORAM OS NOSSOS REGRESSOS À 45 ANOS.

VAMOS POIS JUNTARMO-NOS NOVAMENTE NUM ALMOÇO-CONVÍVIO EM TORRES VEDRAS.

LOCAL E DATA:

"RESTAURANTE "OS SEVERIANOS"

A

19 DE JUNHO DE 2011

PELAS

11:30 HORAS

TRAZEI A FAMÍLIA





IDES RECEBER TODAS AS INDICAÇÕES ATRAVÉS DE CARTA QUE VOS SERÁ ENVIADA PELO CORREIO.

PARA MIM, PARA TI OU PARA ALGUM DE NÓS PODE SER A ÚLTIMA OPORTUNIDADE PARA ESTARMOS JUNTOS. POR ISSO VEM PASSAR UMAS HORAS DE SÃO E SALUTAR CONVÍVIO CONNOSCO.


ESTE ANO VAMOS TENTAR LEMBRAR OS NOSSOS ANTIGOS HERÓIS QUE AS CHEFIAS MILITARES TÃO COBARDEMENTE ABANDONARAM À SUA SORTE, E QUE OS NOSSOS GOVERNANTES NADA FIZERAM PARA MINORAR TUDO PORQUE PASSARAM. POIS, FORAM ESTES BRAVOS DO PELOTÃO QUE DEFENDERAM OS SEUS INTERESSES.

VAMOS TAMBÉM LEMBRAR OS NOSSOS SOLDADOS NATURAIS DA GUINÉ, QUE AO NOSSO LADO LUTARAM E QUE TÃO COBARDEMENTE FORAM ABANDONADOS NA HORA DA DESPEDIDA PELAS CHEFIAS MILITARES.

POR TUDO ISTO VINDE À NOSSA CONCENTRAÇÃO EM TORRES VEDRAS - RESTAURANTE "OS SEVERIANOS" .

" QUERER É PODER "

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HINO DOS COMANDOS

terça-feira, 27 de abril de 2010

G.C.G. - A0038 : GUINÉ 1965 - 2º CURSO DE COMANDOS DE PRAÇAS

As Praças seleccionadas entre voluntários para a frequência do CURSO, apresentaram-se no CIC e iniciaram o mesmo em14 de Julho de 1965. Teve a duração de oito (8) semanas, tendo terminado em 04 de Setembro de 1965.
Segue  a ORDEM de SERVIÇOS Nº: 95 de 19Nov65, do CTIG, a qual trás o Nome dos Oficiais, Sargentos e Praças que obtiveram aproveitamento no 2º CURSO de COMANDOS da GUINÉ.
O.S. nº:95 de 19Nov65 - Folha 1066
O.S. nº:95 de 19Nov65 - Folha 1067
O.S. nº:95 de 19Nov65 - Folha 1068
O.S. nº:95 de 19Nov65 - Folha 1069


São estes homens que irão dar origem aos quatro (4) GRUPOS de COMANDOS que se vão agora formar no CIC da Guiné.
Vamos agora tentar explicar como se formaram os diversos Grupos. 
Os Grupos são constituídos por quatro (4) Equipas, cada uma constituída no mínimo por cinco (5) elementos mais o Chefe de Equipa.
Qualquer Elemento do Grupo está ou deve estar apto para comandar o GRUPO ou a Equipa, isto é verídico para qualquer elemento do GRUPO. É esta atitude que torna a TROPA ESPECIAL dos "COMANDOS" numa "TROPA DE ELITE",  o que nos enche de orgulho.

-- Os Sargentos juntam-se em grupos de quatro (4), conforme as afinidades entre eles.
-- Os Oficiais vão conhecendo melhor os Sargentos e vão tentando formar as suas Equipas.
-- Durante a instrução das Praças, oficiais e sargentos vão deitando o olho aos Praças e assim, arrastando-
     -os para o seu lado.
No final do Curso já há uma ideia muito bem definida sobre a constituição dos GRUPOS.

COMO APARECE O NOME DO "GRUPO DE COMANDOS"?

O Comandante do Grupo, os Chefes de Equipa e os soldados reunem-se e por votação aprovam um NOME para o GRUPO.

Assim, nasceram os quatro (4) GRUPOS, cujos nomes são: 

-- GRUPO "APACHES" - lenço Amarelo
-- GRUPO "CENTURIÕES" - lenço Vermelho
-- GRUPO "DIABÓLICOS" - lenço preto
-- GRUPO " VAMPIROS" - lenço azul

Cada Grupo tem um crachá de ombro que o distingue dos outros, vamos pois mostrá-los:
 Crachá do Grupo "APACHES"
Crachá do Grupo "CENTURIÕES"
Crachá do Grupo "DIABÓLICOS"


Crachá do Grupo "VAMPIROS"

G.C.G. - A0037: GUINÉ 5ª PARTE - NOS COMANDOS


G.C.G. - A0036 : GUINÉ 1965 - 2º CURSO DE COMANDOS DA GUINÉ

Devido ao êxito do 1º Curso de Comandos, o CTIG resolveu marcar para meados de 1965 um novo Curso.
Mas havia uma pequena complicação que devia ser torneada antes do início do Curso; o Tenente-Coronel de Infantaria "Comando", António Machado Correia Dinis, por terminar a Comissão de Serviço e m 04 de Maio de 1965, tinha de ser substituído.
O Capitão de Artilharia, Nuno José Varela Rubim, o qual tinha chegado à Guiné em 19 de Novembro de 1964 e colocado em Mansabá no BCaç 645 onde ganha alguma experiência operacional bem sucedida, é proposto para substituir o Tenente-Coronel Dinis e é aceite.
Apresenta-se no Quartel General em Abril de 1965, passando a comandá-lo desde 04 de Maio de 1965.
Tinha-se agora de proceder ao recrutamento do Pessoal que iria frequentar o CURSO DE QUADROS, mas para isso tinha-se de vencer a resistência dos Comandantes de Batalhão e Companhia que se vião expuliados dos seus melhores homens. 
Ultrapassada esta fase de recrutamento, teve início em 31 de Maio de 1965, o 2º CURSO de COMANDOS da Guiné.
Parte da ORDEM DE SERVIÇO do CTIG, onde se pode ver a nomeação dos Instrutores e Monitores para o "º CURSO DE COMANDOS do CIC de Brá:
O.S. do C.I. da Guiné - 01 de Junho de 1965



Assim, começou o 2º CURSO de QUADROS dos COMANDOS com o seguinte pessoal Instrutor e Monitor.

Director de Instrução:

-- Capitão de Art.ª - Nuno José Varela Rubim

Instrutor:

-- Alferes Miliciano "COMANDO" - Justino Coelho Godinho - Camaleões

Monitores:

-- 2º Sargento de Infantaria "COMANDO" - José Justino de Cabedo Lencastre
-- 2º Sargento de Infantaria "COMANDO" - Mário Fernando Roseira Dias - Camaleões/Apaches
-- Furriel Miliciano "COMANDO" - Manuel Victor Santos Moita - Panteras
-- Furriel Miliciano "COMANDO" - António Manuel Vassalo Miranda - Panteras
-- Furriel Miliciano "COMANDO" - Ilídio José  M. Leonor - Camaleões
-- Furriel Miliciano "COMANDO" - António M. Pereira Fabião - Camaleões
-- Furriel Miliciano "COMANDO" - Joaquim António Nunes - Panteras
-- Furriel Miliciano "COMANDO" - Carlos Alberto Pereira Lopes - Panteras
-- Furriel Miliciaqno "COMANDO" - João Carlos Gomes Alves de Matos - Fantasmas

A seguir apresentaram-se no C.I. da Guiné - Brá, os Oficiais e os Sargentos que iam frequentar o 2ºCURSO de COMANDOS que teve início a 31 de Maio de 1965 e durou até 22 de Junho de 1965, os candidatos foram:

INSTRUENDOS:

-- Alferes Miliciano - Luis Manuel Nobreza D'Almeida Rainha - da CCav 704
-- Alferes Miliciano - António Amadeu Couto Neves da Silva - da CCaç 762
-- Alferes Miliciano - António Joaquim Vilaça - da CCaç 726
-- Alferes Miliciano - Victor Manuel Cardoso Caldeira - da CCaç 764
-- Alferes Miliciano - Virgínio António Moreira da Silva Briote - da CCaç 489
-- Furriel Miliciano - Joaquim Jesus dos Santos Prates - da CArt 730
-- Furriel Miliciano - José João Moura dos Santos - da CArt 644
-- Furriel Miliciano - Fernando José Gomes Cordeiro - da CAV 70
-- Furriel Miliciano - Caetano de Faria Azevedo - da CCaç 764
-- Furriel Miliciano - Carlos Alberto da Rosa Baptista - da CCaç 674
-- Furriel Miliciano - Heitor Carlos Garrido Madeira Fragoso - da CPM 590
-- Furriel Miliciano - Joaquim Teixeira Olivença - da CArt 732
-- Furriel Miliciano - João Severo Parreira - da CArt 730

Em 02 de Julho realizou-se a Cerimónia da entrega dos crachás aos graduados que terminaram a instrução com aproveitamento.

DESTE CURSO FORAM ELIMINADOS,POR NÃO CUMPRIREM COM OS REQUESITOS PARA SEREM COMANDOS:

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Seguem as respectivas Ordens de Serviços:

G.C.G. - A0035 : A PREPARAÇÃO DA INSTRUÇÃO

O Comandante do CIC da Guiné, aproveitando a passagem por Bissau em Junho de 1964, do Comandante do CI 25 de Angola, Capitão Sousa e Castro, foram trocadas impressões sobre a formação dos Comandos na Guiné, esclareceram-se dúvidas e acertaram-se muitas medidas tendentes a melhorar os aspectos práticos da Instrução; nascendo desta troca de impressões um "MANUAL" com as instruções necessárias para o Curso que estava na altura a decorrer ( 1º CURSO de COMANDOS) e para futuros Curso que se viessem a organizar.
Assim, nasceu aquele que passou a ser a bíblia da Instrução dos Comandos da Guiné; claro que esta podia ser modificada conforme as circunstâncias.
Por ser um documento tão importante, vamos passar a descrevê-la:
Como se previa esta era dividida numa série de rubricas, as quais se adaptavam à nossa espécie de guerrilha, assim contava-se, com:

-- Higiene e Primeiros Socorros - Feridos de Guerra - 2 horas

  • Tipos mais frequentes. Principais problemas; perda de sangue e infecções. Feridas na cabeça, tórax e abdómen.

  • Controlo da perda de sangue.

  • Aplicação de garrote e pensos compressivos.

  • Aplicação de pensos individuais.
-- Técnica de Combate - Actos Individuais do Combatente - 6 horas

  • Deslocar-se.

  • Livre e debaixo de fogo.

  • Em todas as condições do terreno: mata aberta e cerrada, capim alto e baixo.

  • Nos trilhos, nas picadas, nas clareiras.

  • Cuidados durante a progressão: segurança, silêncio, atenção

  • Por lanços, curtos e rápidos.

  • Rastejar, de cócoras, de pé, a rolar em corrida, por salto, em marcha de macaco, corrida em Zig-Zag.

  • No meio liquido a diferentes profundidades com pé e sem pé.
-- Observar - 4 horas

  • Escolher o local donde consiga localizar o IN; deslocar-se até lá.

  • Observar antes de se abrigar.

  • Observar sempre, durante o deslocamento, durante o salto, durante o ataque.

  • Enganar o IN com truques, com movimento, com pedras, para observar.

  • Observar o IN para fazer fogo sobre ele.

  • Observar para evitar a surpresa.
-- Abrigar-se - 4 horas

  • À ordem, à vista, ao som de um tiro. Obrigar o instruendo a ter a noção de que todo o seu corpo está abrigado e não só parte dele. Utilizando projécteis de perigo progressivo até ao tiro real.

  • Escolha ou adaptação do local de modo que possa fazer tiro nas melhores condições

  • Fazer tiro antes de se abrigar.

  • Abrigar-se e fazer tiro.
         NOTA: Todas as fases desta instrução deviam ser exigidas até ao mínimo pormenor e repetidas tantas
                       vezes quantas as necessárias até à execução perfeita, por cada instruendo. Nos treinos, para
                       abrigar, seriam utilizadas pedras, no início, mas depois, pressão de ar.

-- Táctica de Equipa - 21 horas Diurnas - 6 horas Nocturnas

  • Formação das Equipas, com base nas aptidões demonstradas durante a instrução individual, nos laços de amizade entre os instruendos, nas suas afinidades regionais, na capacidade de chefia, na subordinação e respeito mútuo.

  • Dentro da Equipa, a função de cada elemento:  Na progressão tendo em vista os pontos executados na fase individual.

  • Idem na observação.

  • Idem na Segurança.

  • Treino das Equipas funcionando em Apoio, Manobra ou Protecção e Decepção.

  • Articulação
-- Instrução com Viaturas (jeep, jeepão ou unimog, GMC, Mercedes) - 4 horas

  • Individual:

  • Modo e local de instalação na viatura

  • Salto da viatura em movimento, aumentando progressivamente a velocidade.

  • Salto da viatura para a berma da estrada, abrigando-se e ocupar posição de tiro.

  • Idem com lançamento de granadas de mão.

  • Equipas:

  • Localização de cada elemento dentro da viatura, conforme o seu tipo.

  • Função de cada elemnto no que respeita à ligação entre eles e com as outras Equipas, observação, segurança, missão em caso de emboscada, mina ou fornilho.

  • Segurança em andamento, nos pequenos e grandes altos.

  • Considerar o caso de viatura isolada e em coluna.
-- Instrução com Helicópteros - 2 horas

  • Equipas:

  • Distribuição pelos lugares.

  • Salto de Helicóptero.

  • Tomada de posição.

  • Abandono.

  • Dispositivo.

  • Recolha:

  • Dispositivo.

  • Tomada de lugares.

  • Segurança.
-- Informações - 5 horas 
  • Mostrar como cada Combatente pode ser útil na pesquisa de informação
  • O que são notícias e informações.


  • Origem da notícia.

  • Apresentação de material capturado ao IN como resultado da acção das tropas.

  • Modo de tratamento de prisioneiros.

  • Modo de actuação do IN deduzido através de notícias dadas pelas tropas; aguçar o interesse do Combatente pela pesquisa de notícias.
Ao mesmo tempo saíam as Normas para as Provas de Selecção de Praças e Quadros, as quais estabeleciam os valores mínimos a cumprir no teste de potência e no comportamento individual no teste de agressividade,que era realizado num combate de boxe que deveria realizar-se num espaço de tempo curto e apenas o necessário para se verificar o grau de comportamento combativo de cada um, que traduzia o respectivo espírito de combatividade.
Os Quadros eram igualmente solicitados a responder a um inquérito inicial em que, na introdução dizia:"Responda conscienciosamente às questões postas,atendendo que deverá fazê-lo tal como é ou pensa, e não como julgaria que deveria ser ou pensar".

Do extenso rol de questões colocadas, seleccionamos algumas a tulo exemplificativo:


-- Como admite a disciplina militar?
-- Diz-se "cumprir um dever". Porque não se dirá "cumprir uma obrigação"?
-- tem alguma ideia sobre a evolução do terrorismo? Diga qual de modo sucinto.
-- A vida militar, diz-se, é um sacrifício permanente; acha que deverá sê-lo? Porquê?
-- É metódico? Gosta de se deitar a horas certas? Gosta de se levantar cedo ou levanta-se 
    com dificuldade?
-- Como justifica perante a Nação a existência do Exército?
-- A coerência não é uma virtude mas sim honestidade de consciência.
     Comente a frase.

O COMANDO é um individuo que possui, no mais alto Grau, as seguintes caracteristicas:

  1. Discíplina e grande espírito de sacrifício.

  2. Forte espírito de corpo e camaradagem.

  3. Domínio e controlo dos impulsos.

  4. Treino intenso.

  5. Elevada preparação física.

  6. Instrução e prática de tiro.

  7. Técnicas de sobrevivência.

  8. Processows e técnicas de ligação.

  9. Explosivos, minas e armadilhas.

  10. Preparação psicológica e mentalização.
Como já atrás foi dito o "COMANDO" tem de ser uma verdadeira "MÁQUINA DE GUERRA", pois disso depende a sua sobrevivênvia.
(Texto tirado do Livro"resenha H.M.C.A.- Comandos-Os Grupos Iniciais - II GUINÉ 1963-1966)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

G.C.G. - A0034: GUINÉ - 4ª PARTE - O DESCANSO DAS ARMAS



Slide gentilmente cedido pelo Cmdt do GRUPO "DIABÓLICOS"
Alferes Comando V.BRIOTE - Autor e Proprietário deste slide

G.C.G. - A0033 : DIRECTIVAS AOS INSTRUTORES E MONITORES

O Comandante do Centro  teve a preocupação de assegurar a todos os instrutores e monitores, uma correcta e adequada interpretação de qual a finalidade do Centro, da Missão dos Comandos, das suas caracteristicas e das principais componentes da Formação. Não era aceitável que houvessem interpretações diferentes,já que essa situação teria reflexos negativos junto dos instruendos. Assim, o Comandante do Centro elaborou e difundiu diversas directivas sobre esses assuntos, dirigidas aos instrutores e das quais registamos algumas:

-- Finalidade do Centro de Instrução
     "Formação de Grupos de Combate que, com base em elementos seleccionados entre os mais aptos das Unidades em operações,apresentem no final da instrução uma mais cuidada como objectiva preparação e um espírito agressivo mas controlado, indispensável à execução de missões de maior risco ou dificuldade".

-- Missão de Comando
    " Ataque a objectivos definidos, em proveito das tropas em quadricula e de intervenção, quer como processo de destruição inimiga, quer ainda como fonte indispensável de informações que possam nortear a actividade operacional daquelas tropas e também acções de caça nos sectores onde actuam".

-- Caracteristicas dos Comandos
     " Elevada autonomia, rusticidade, resistência à fadiga, fragilidade e apurada técnica de combate"

-- Valorização fisica, Moral e Técnica do Instruendo
     Os condicionamentos da Finalidade, da Missão, e das Caracteristicas da Tropa Comando impõem garantir ao Comando, as condições físicas, morais e técnicas indispensáveis más exigências enunciadas.

1ª Condição - A Valorização Física do Instruendo

" É evidente de que a fadiga pode ser utilizada como um poderoso meio educativo, que a fome, o desconforto, o medo, e a própria sêde podem ser meio de inestimável valor formativo ... deve pois o Instrutor ou monitor ser cuidadoso e criterioso na aplicação desses processos,doseando-os ao longo da instrução,de maneira que o instruendo vá, sem problemas de maior, vencendo essas dificuldades que de pequenas no início, irão aumentando paralelamente com a formação física do instruendo.
A Educação Física Militar deve ser dada com um aumento constante de esforço de maneira que gradualmente o instruendo vá ganhando resistências físicas que lhe permita executar sem dificuldade, longas marchas através da mata e de regiões alagadas, resistindo à fadiga e mantendo sempre em boas condições o seu Espírito Agressivo.
A Educação Física Militar deve ser sempre levada ao máximo no aspecto de emulação individual, pois será dessa emulação entre os instruendos que aparecerão aqueles que mais tarde terão possibilidades de serem os Chefes das Equipas".

2ª Condição - A Valorização Moral do Instruendo

"O simples facto do Instruendo ser seleccionado entre os mais aptos das Unidades em operações, cria nele uma ideia de superioridade que deve ser mantida mas corrigida e melhorada durante toda a instrução.  Como Comando que será,  tem de justificar a sua escolha e proceder com aprumo, lealdade e justiça, ser camarada e ter orgulho em ser Comando, mas nunca desprezar os seus camaradas que por razões várias não são comandos como ele.
A valorização moral do instruendo caminha paralelamente com a sua valorização técnica.  Quanto melhor esta for, mais firme será a confiança em si próprio e nas suas possibilidades.
Deve ser tratado como um homem, largando-o nas suas iniciativas, mas incutindo-lhe sempre a noção de grupo ou equipa em que viverá e para a qual trabalhará; da sua capacidade de execução individual, irá depender o valor ou eficácia da equipa a que pertencer e que por sua vez influirá no entendimento do Grupo de Combate.
Assim os instrutores e monitores aproveitarão todas as oportunidades que se oferecerem no decorrer da instrução ou na vida do Centro para se avivarem os preceitos referentes à Educação Cívica e Moral do Soldado.
È de extraordinário interesse a provocar atender, nesta valorização moral, a aspectos de acção psicológica e de doutrinação dos instruendos.  É necessário que cada Comando saiba:

--- a razão de ser da luta que trava;
--- os fundamentos da acção militar;
--- os fundamentos jurídicos e políticos da mesma luta;
---a negação do fundamento da acção inimiga;
--o descrédito do modo actuação inimiga-selvajaria.

Devem pois os instrutores aproveitarem todos os momentos livres, especialmente os de descanso para, reunido o seu Grupo de Combate, provocar uma conversa que interesse a todo o Grupo; permitindo a sua livre discussão, orientada é certo, e não só falando, mas muito especialmente fazendo falar.  Devem lembrar-se sempre que para manter uma luta é necessário acima de tudo, uma consciencialização do procedimento".

-- 3ª Condição - A valorização técnica do Instruendo

È chamada a atenção aos instrutores e monitores para a necessidade excepcional de valorização individual do instruendo.  A valorização técnica do instruendo está dividida, ao longo de oito (8) semanas de instrução, 3 Fases distintas:

1ª Fase - Instrução Básica
2ª Fase - Instrução Pré-Operacional
3ª Fase - Instrução Operacional

1ª Fase - Instrução Básica

"Nesta 1ªFase, quer as matérias incluídas no Programa, quer a forma de execução quer ainda o ambiente em que se administra, visam quase exclusivamente a educação individual dos aspectos morais e físicos e a melhoria da capacidade de execução.`
É nesta 1ªFase que se consegue, levando a instrução ao mais elementar pormenor, lançar as bases indispensáveis para o trabalho de equipa, que virá depois.  Nesta 1ª Fase irão criar-se as condições indispensáveis para a descoberta e exploração de afinidades entre os indivíduos e que representarão as bases da constituição das pequenas equipas, como forma indispensável ao trabalho, ou à instrução de conjunto".
Após a 1ª Fase de valorização  individual e encontrando-se as bases de trabalho em equipa, entra-se na:

2ª Fase - Instrução Pré-Operacional
(
"Nesta fase inicia-se a integração dos valores individuais no trabalho conjunto levado ao pormenor, ou melhor, ao quase automatismo.
Toda a instrução será levada ao mais pequeno pormenor, com exagero até, repetindo e fazendo repetir tantas vezes quantas as necessárias todos os exercícios para que os mesmos se executem com automatismo e sem a mais pequena hesitação.

Uma vez conseguidas as condições e satisfeitas as necessidades da 2ª FASE passa-se à:

3ª Fase - Instrução Operacional 

Com esta fase dá-se início ao trabalho de formar os Grupos; esta última fase da formação dos Grupos, constituirá de facto o trabalho táctico me de coordenação das Equipas formadas.
Será nesta fase, que orientando e impulsionando os instruendos, se lhes proporciona o cunho pessoal e de livre iniciativa, tão necessária à forma de acção a que estar4ão ligados.

No final do Curso um COMANDO tem de ser uma MÁQUINA DE GUERRA PERFEITA; POIS DEPENDE DELE E DA SUA TÉCNICA DE GUERRILHA A SUA SOBREVIVÊNCIA; UM COMANDO NÃO ERRA; NUMA PALAVRA UM COMANDO É AUTO-SUFICIENTE.

(Texto tirado do Livro"resenha H.M.C.A.- Comandos-Os Grupos Iniciais - II GUINÉ 1963-1966)

sábado, 24 de abril de 2010

G.C.G. - A0032:UMA HISTÓRIA VERÍDICA DE VEZ EM QUANDO- 2ª Parte

O Celebérrimo "BAILE NA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE BISSAU"
- 2ªParte -

Liceu Honório Barreto - Bissau
Foto: Desconhecido

Os mesmos acontecimentos vistos pelo Alferes Miliciano Comando VBriote que aqui presta o seu depoimento, para memória futura

Mas que raio estava aqui a fazer? A Guiné não me dizia nada, não a sentia como sua, até se sentia um intruso. Até com os civis brancos, poucos, duas dúzias se tanto, sentia-se sem convite para ir ao Baile dos Finalistas do Liceu Honório Barreto.
Na Esplanada do Bento, a 5ªRep., como também era conhecida, bebia cerveja com mancarra, num grupo de 5 ou 6 comandos e páras. Um terá dito que naquela noite, na Associação Comercial de Bissau, havia o Baile dos Finalistas do Liceu. Outro lembrou-se de perguntar se alguém recebera convite. Eu não, tu não, aquele também não..... Ninguém se lembrou de nós, como pode ser? Queres ir?
Dentro da Associação, no enorme Salão de baile, finalistas e Familiares, todos animados a dançarem, com o Toni ao piano. Quando os viram entrar em fila, alto lá e pára o baile. Depois, ninguém soube como tudo começou...
A principio, as frentes pareciam bem delimitadas, os participantes em festa de um lado e a meia dúzia de intrusos do outro. Com o decorrer das hostilidades, as duas partes em confronto clarificaram-se ainda mais. Entre vivas ao camarada Presidente Amílcar, um pelotão da P.M.entrou por ali dentro, despachou tudo o que aparecia pela frente, trinta e tal tipos com escoriações para o hospital, a polícia civil e a PIDE também metidas. Vidros e loiças em cacos, cadeiras e mesas partidas, uma noite que nunca mais acabava.
Mesmo em frente ao Palácio do Governo, onde, soube-se, depois, da janela, o Governador via aqueles gajos darem-lhe cabo da psico. Uma vergonha!
Os acontecimentos na Associação Comercial alteraram o ambiente da cidade. A desconfiança entre a população negra, cabo-verdiana e a tropa, os nervos crispados, a porcaria mais ou menos submersa, subiu tudo. Tentava-se levar a vida normal, mas via-se pouca gente nas ruas, sobretudo à noite.A P.M. aumentara os patrulhamentos. O PAIGC, como lhe competia, aproveitava e tirava dividendos.
Nos dias a seguir ao sucedido choveram exposições no Palácio, sete, dissera todo cheio de importância o ajudante de campo do Governador. O General Shultz recebera numerosas individualidades civis, apresentara desculpas formais à Associação Comercial e aos finalistas, prometera pagar os prejuízos, tomar providências enérgicas, o habitual nestes casos.
Em Brá, o capitão interrompeu os desenhos que estava a fazer quando o viu entrar. Começou a dizer que as saídas para a cidade estavam proibidas. Depois, pediu-lhe explicações. Que se tudo tinha acontecido como se contava, que não tinha dúvidas que haveria consequências. O Governo da Província estava a ver o programa de pacificação a andar para trás, que aguardasse o auto de averiguações, que era tudo,chutara o capitão, cada vez mais longe dele e dos outros.
Logo a seguir deu-lhe ordem para ir para o Xitole, o grupo deveria manter-se lá até nova ordem, sem mais detalhes. Bater a Zona, procurar o IN, dar-lhe caça, para que é que havia de ser?
Embarcaram num Dakota até Bafatá, depois apanharam boleia numa coluna auto que os levou para Fá, rumo ao Xitole, numa coluna a abarrotar de abastecimentos.Até Fá Mandinga o percurso foi-se fazendo. Depois, até ao Xitole, foram sempre debaixo de chuva, os km.s nunca mais acabavam, as viaturas civis que aproveitaram a boleia não estavam preparadas, metiam-se na lama até à carroçaria. O Corubal parecia o Atlântico quando o atravessaram. Chegaram no outro dia à noite, com os reabastecimentos reduzidos a metade, alguns destruídos pelas águas, outros desapareceram, ninguém, soube dizer como. Mantiveram-se lá quase três (3) semanas, contactaram com o IN nas proximidades do Galo Corubal, em Satecuta, sem consequências para além de trocas de tiros à distância.
Da estadia no Xitole o que marcou mais foi a chuva. E o toque a silêncio, tocado à noite por um profissional da corneta. Um solo de requinta, de arrepiar!
Percurso inverso, quase a mesma história, com a diferença de ter sido feita a pé até Bambadinca.
Dias depois em Brá, um capitão procurou-o, queria ouvi-lo para o tal processo que estava a decorrer, já tinha ouvido os outros, só faltava ele. O que tinha acontecido, como, quando, porque é que, quem fora a cabecilha, leia, assine aí em baixo, alferes Gil Duarte, se estiver de acordo.
À noite fora até Bissau, encontrar-se com os companheiros do costume. Passaram-lhe para as mãos a Plateia, uma revista de cinema que saía em Lisboa. Folheou-a, os olhos na Brigitte Bardot a fazer festas no focinho de um burro, um pé de Sofia Loren num banco a tirar a meia preta com um tipo qualquer deitado na cama, à espera.Parou num página. Crónica da Guiné na Plateia, ora deixa ver! Uns arruaceiros tinham invadido as instalações da Associação, interromperam a festa dos finalistas e partiram tudo, à boa maneira dos teddy-boys de Liverpool ou Manchester,escrevia escandalizado o correspondente. Olharam uns para os outros calados.
Fica assim, perguntou alguém? Que não, que era melhor falar com o correspondente, esclarecê-lo, tirar-lhe as dúvidas. Bissau era pequeno, foram até à esplanada do Bento, disseram que ele devia estar lá para cima, no café Império.
Encontrarm-no, estiveram com ele, explicaram-se uns aos outros. Não foi logo na Plateia seguinte, mas a rectificação leram-na dois meses mais tarde, acompanhada de um cartão com os melhores cumprimentos.

Ora bem, meus senhores, antes de mais, devo manifestar-lhes a pena que tenho de os ter aqui nestas circunstâncias. Já tive convosco manifestações de apreço, quando o mereceram, o que não é o caso desta vez, infelizmente. Relatar aquilo que ficou apurado, é desnecessário...
Puno o alferes comando...., olhava primeiro para o citado, escrevia depois, três, cinco dias de prisão simples, o critério nunca se soube, porque no dia tal, às tantas horas,.... grave prejuízo para a tranquilidade e bem-estar públicos... contrariando os esforços que o governo da Província.... a lenga-lenga igual para todos.
Não sabia porquê, tinha apanhado três dias de prisão, a pena mínima, sabia lá, cara fechada para a Justo, que lhe perguntava porquê uma pena tão reduzida.
Desciam a escadaria quando o ouviu chamar outra vez, ó Gil, então, quando vais de férias?
Praça do Império ao fundo a ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DA GUINÉ
Foto: Desconhecido


Os mesmos acontecimentos vistos pelo Alferes Miliciano Comando LRainha que aqui presta o seu depoimento, para memória futura



A minha narrativa vai ser um pouco diferente, pois, eu fui ao baile convidado por uma Família de um dos finalistas, ou seja, todo o mundo saibia, sabe e sempre soube que eu tive uma grande paixão e amor por uma Moça da Família BARBOSA. Uma das Famílias mais importantes da Guinè, a Lu, como carinhosamente a tratava e ainda hoje a lembro com saudade.
Muitas coisas se fizeram contra este amor, a tudo ele foi resistindo, mas houve uma altura que caíu.
Bem, vamos ao que interessa, que é o Baile de Finalisatas do Liceu Honório Barreto de Bissau. Já lá vão cerca de quarenta e cinco anos e ainda me parece que foi ontem.
Pelas 19H00 do dia 05Jun65, o condutor do meu Grupo foi-me levar a Bissau e perguntou-me se era necessário ir-me buscar. Respondi que não pois eu me arranjaria. Deixou-me junto à porta de casa de minha namorada e foi-se embora, dizendo um breve , até amanhã.
Fui buscar a Lu e fomos jantar ao Grande Hotel e de lá fomos para o baile.
Não houve contar novamente tudo, pois os meus camaradas já o fizeram e como tal interessa só o que se passou connosco, vi e ouvi.
Já durante a jantar fui ouvindo que se estava preparar algo contra os brancos, informo que a minha Companheira era morena - muito bonita, pois não os iam deixar entrar no referido baile, como mais tarde aconteceu.
Depois do Jantar, como era cedo ainda passámos por casa e os rumores continuavam; chegando ao ponto da própria me alertar de que podia ir descansado pois estava convidado.
Chegados ao baile fomos à mesa que nos estava reservada e a seguir fomos dançar, mas o ambiente era tenso e ainda nem sequer se via nada de anormal. Cerca das duas horas da manhã é que as coisas começaram a azedar com a entrada em cena da tropa branca, que logo foi rodeada pelos cabo-verdiano aos gritos e insultos.
Estava declarada a guerra há tanto tempo esperada pelos cabo-verdianos.
O pior de tudo é que os nossos Chefes não viram ou não quiseram ver as coisas como elas eram e estavam a acontecer.
Enviaram as P.M. e a Policia civil para dar em tudo que fosse branco.
Eu, a única coisa que fiz foi protegera Senhora que estava comigo, por consequência à minha guarda. Colocando um dos meus braços por cima dos seus ombros e com o cartão de oficial do exército lá fui abrindo caminho pelo meio da multidão e dos Policias, estes distribuindo cacetada por tudo quanto era sítio, não poupando ninguém, tentavam aclamar os ânimos.
Quando íamos a caminho de casa vimos o General Shultz à varanda em pijama a ver o espectáculo.
Claro, que quando os cabo-verdianos quiseram a coisa acabou.
De tudo isto, podem-se tirar várias conclusões, mas duas (2) há que saltam logo aos olhos de qualquer pessoa medianamente inteligente. Toda a barraca foi muito bem preparada pelo PAIGC e os nossos Chefes da altura caíram que nem uns patinhos. E porquê?
Por causa da PSICO-SOCIAL, uma palermice em que os nossos governantes acreditavam ou queriam acreditar.
Assim, acabou um episódio que podia ter facturado para o nosso lado, mas pela incompreensão dos Chefes Militares foi o adversários que ficou com os louros.
Mas, sempre foi assim, nós havemos de ser os eternos coitadinhos.
Praça do Império - à direita fica o Palácio em que de pijama o Governador viu tudo
Foto: Desconhecido

Desta História, como já atrás se disse, resultaram alguns castigos e aqui vamos publicar um Extracto, ou seja, as Páginas 803 e 804 da O.S. nº:70 de 27Ago65 do C.T.I.G. - Artº 99 - CASTIGOS.

O.S. nº: 70 de 27Ago65 do C.T.I.G.  pág. 803

O.S. nº: 70 de 27Ago65 do C.T.I.G. pág. 804